O Brasil vive uma revolução demográfica silenciosa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2030, mais de 41 milhões de brasileiros terão 60 anos ou mais. Essa transformação impacta diretamente o setor de turismo. De acordo com o hub de pesquisa Data8, o segmento movimenta cerca de R$ 2 trilhões anuais.
Apesar dos números expressivos, o mercado turístico ainda não compreende esse público. A comunicação segue priorizando casais jovens e famílias com crianças, enquanto os viajantes maduros permanecem invisíveis nas campanhas publicitárias.
Perfil do novo turista maduro
O viajante 60+ atual quebra estereótipos. Ele busca aventura, cultura e ecoturismo. Planeja viagens com antecedência e prioriza segurança acima de preço. Esse consumidor conectado e exigente representa uma oportunidade estratégica para destinos e empresas.
Ana Carolina Kuwabara, especialista em turismo prateado, identifica características valiosas desse público. “O turista maduro consome mais, paga melhor e viaja com planejamento. Ele não está preso a calendários escolares e movimenta hotéis durante a baixa temporada”, explica.
Pesquisa inédita sobre o setor
Em maio, São Paulo recebe a quarta edição do Expo Fórum Turismo 60+. O evento apresentará uma pesquisa nacional inédita sobre o perfil real do viajante maduro brasileiro. O levantamento investigará destinos preferidos, tempo de estadia e meios de hospedagem.
A iniciativa visa preencher uma lacuna crítica. O mercado trabalha sem dados concretos sobre esse consumidor estratégico. “Não se constrói estratégia sem informações. O turismo brasileiro ainda opera no achismo quando o assunto é o viajante 60+”, afirma Kuwabara.
Oportunidade desperdiçada
A pirâmide etária brasileira está em transformação acelerada. A taxa de envelhecimento atinge 2,6% ao ano, enquanto a de nascimentos é apenas 1,2%. Os números indicam que ignorar esse público significa perder relevância no mercado.
O viajante maduro representa fidelidade às marcas, gastos consistentes e presença durante todo o ano. Ele viaja fora da alta temporada e planeja experiências com critério. Para o setor turístico, compreender essas características deixou de ser opcional.
A questão central permanece: quando o mercado brasileiro acordará para essa realidade demográfica e econômica?
Fotos: imagens geradas por IA
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