Copenhague tem belas paisagens, arquitetura histórica, diversas opções culturais, alta gastronomia e tudo isso sendo plana e segura. A capital dinamarquesa é tudo de bom!
Sabe aquelas viagens que você fica anos ensaiando fazer? Adiei visitar a Escandinávia por anos, até que percebi que ela não ficaria mais barata com o passar do tempo. Então fiz minha mala e, sem pensar muito, embarquei para Copenhague, capital da Dinamarca
A cidade entrega o que todo viajante aprecia, e um pouco mais: boa gastronomia, cena cultural diversificada, arquitetura renomada, canais pitorescos e povo solícito, ou seja, só alegria. Copenhague é encantadora e aparece com frequência nos rankings globais de melhores lugares para morar, graças à sustentabilidade, qualidade de vida e segurança. Por lá, você caminha por horas sem cansar, visto que a cidade é plana, e troca o carro pela bicicleta em tempo recorde.
O que Copenhague tem?

Para começar, tem a mistura entre o charme histórico e o moderno descolado, mas essa vibe não é fabricada como em outros lugares. Ela é natural e permeia o ambiente, a população e até nós, turistas, dando a sensação de estar “integrado” mesmo que tenhamos chegado recentemente. Mas vá com calma, meu amigo: você ainda não foi apresentado ao mundo dos ciclistas, que seguem regras rígidas para manter o fluxo seguro.
As mais importantes são: não caminhe ou pare na ciclovia e olhe para os lados, atentos a carros e bicicletas, ao atravessar a rua, afinal ninguém vai parar para te esperar. Caso não siga a risca, prepare-se para enfrentar a ira dos dinamarqueses. E, acredite, ninguém quer isso.

Mais ambientados, sigamos para Nyhavn, pronuncia-se “níu-raun” em português, parada obrigatória para qualquer visitante. A icônica orla chama atenção pelas casas geminadas coloridas do século 17 e barcos históricos de madeira que ficam ancorados ali. Nem sempre foi assim, o local já foi um porto comercial movimentado conhecido, por marinheiros briguentos, bares e prostituição. Só entre 1960 e 1980 suas águas foram limpas e os imóveis, restaurados. Hoje, o calçadão vibra com restaurantes e cafeterias ao ar livre, além de ser ponto de embarque para passeios de barco.
Guarda Real

Outras atrações que merecem ser vistas são os palácios de Amalienborg, Rosenborg e Christiansborg, com seus respectivos museus. Amalienborg é a residência oficial da família real dinamarquesa e tem um conjunto de edifícios em estilo rococó dispostos ao redor de uma praça belíssima.
Todos os dias, a partir das 12h, acontece ali a troca da Guarda Real – os guardas saem de Rosenborg e marcham pela cidade até o palácio. Quando há uma banda militar tocando é sinal de que os monarcas estão em casa. É engraçado ver um monte de pessoas comuns seguindo o cortejo no mesmo ritmo até Amalienborg.

Casa Real da Dinamarca
No Castelo Rosenborg, feito em estilo renascentista holandês do século 17 e cercado pelo Jardim do Rei, é pequeno em tamanho, mas gigante no que tutela: há mais de 400 anos abriga diversos tesouros e as joias da Casa Real da Dinamarca. Coroas, anéis e colares se somam a pinturas e outras obras de arte, ademais aos aposentos reais com decoração original da época.

Caminhe ao redor dos inúmeros canais da cidade até chegar ao Palácio de Christianborg, que antes foi o lar da realeza, e com o passar dos anos, ganhou novas funções e, atualmente, é a sede da Suprema Corte, do Parlamento e do gabinete do primeiro-ministro.
É possível caminhar por salões finamente decorados com tapeçarias e quadros, ainda utilizados pela monarquia para recepções e outros eventos. A luxuosa Sala do Trono dá acesso à varanda em que reis e rainhas são coroados e tem os tronos como peças centrais, que, por si só, chamam atenção.
Jardins de Tivoli

É impossível ir a Copenhague e não conhecer os Jardins de Tivoli, o segundo parque de diversões mais antigo do mundo, perdendo apenas para o Bakken, que também fica na Dinamarca. Localizado no centro da cidade, o Tivoli diverte milhares de visitantes desde sua inauguração em 1843 com montanhas-russas, brinquedos que giram e despencam, shows, cultura, entre outras atrações diversas. Além de incrível, ele é reconhecido como um dos símbolos da capital.
E o que mais?

Não deixe de passear pela famosa Strøget, a principal rua de Copenhague, que liga a Prefeitura à Kongens Nytorv, uma praça bonita que fica perto de Nyhavn. A via para pedestres se estende por cerca de 1 quilômetro e reúne lojas conceituadas, como Prada e Gucci, fast fashions, sorveterias, restaurantes, cafés, artistas de rua e um monte de edifícios históricos.

Vale tirar um tempinho para se perder pela região e encontrar boutiques mega cool, antiquários e lojas de discos, especialmente as de rock pesado e metal, estilo amado pelos dinamarqueses.
Torre Redonda

A rua Købmagergade é imperdível, porque ali está a Rundetaarn, ou Torre Redonda, para nós, brasileiros. Erguida em 1642, ela é um dos prédios mais icônicos da capital da Dinamarca, e foi construída para ser um observatório astronômico, uma das mais antigas para essa finalidade em toda a Europa.
Um fato curioso é que para chegar ao topo não é necessário subir escadas, e sim uma rampa espiral, especialmente projetada para que carroças levassem instrumentos pesadíssimos usados na contemplação do céu. Ainda se discute se cavalos chegaram a fazer o trajeto, porém uma coisa é certa: os equipamentos estão lá – e a rampa também. A torre tem planetário, observatório, biblioteca, café, espaço para exposições e conta com uma das vistas mais bonitas da cidade.
Espaço subterrâneo interativo

Se ainda estiver animado, vá a Cidadela (Kastellet) e conheça a antiga fortificação em formato de pentágono, com atividade militar ativa, mas que faz as vezes de parque, sendo um dos mais queridos da capital. Aproveite para visitar o Museu da Resistência Dinamarquesa, que fica pertinho, no Parque Churchill, um espaço subterrâneo – e totalmente interativo – que conta a história da ocupação alemã no país durante a Segunda Guerra Mundial.

Evite ficar apenas na área central e conheça o bairro de Vesterbro, uma ex-zona operária que ganhou o coração dos hipsters e outros moderninhos da cidade com padarias maravilhosas, lojas de design e cafés estilosos. Ah! Não deixe de conhecer o Kødbyen, uma velha região de açougues industriais, que virou point depois de revitalizada e agora abriga cervejarias artesanais, como a WarPigs, além de bares, bistrôs, galerias de arte e, claro, açougues.
FICA A DICA!
1) Os dinamarqueses são solícitos, mas tendem a ser reservados. Em geral são simpáticos, mas é bom evitar contato físico ou encará-los na rua para prevenir possíveis desconfortos.
2) Você pode alugar uma bicicleta, assim como eu, para viver uma aventura muito divertida em Copenhague. Use capacete, mantenha-se do lado certo da via (à direita) realizando ultrapassagens rápidas pela esquerda e, lembre-se, sinalize com os braços a direção que vai tomar ou se irá parar: braço na horizontal no sentido em que pretende virar em uma rua e braço na vertical indicando uma parada.

3) Só se arrisque a comer em Nyhavn, caso possa viver sem um rim, pois o preço é salgado. Faça o seguinte: siga até o fim da orla até a ponte metálica de Inderhavsbroen, feita para pedestres e ciclistas, e atravesse para o Broens Street Food, uma praça de alimentação ao ar livre com food trucks de comida de rua, burguers gourmetizados, pizzas e drinks. Além de ser muito mais barato tem mesas com vista para o porto e serve os tradicionais smørrebrøds, fatias de pão de centeio cobertas com peixes, carnes e condimentos. Uma delícia!

4) A estátua de bronze de A Pequena Sereia, mede 125 centímetros e está sob uma rocha à beira do cais de Langelinie, a uns 25 minutos à pé do centro. Feita por Edvard Eriksen e inaugurada em 1913, foi inspirada no conto de fadas de mesmo nome do autor dinamarquês Hans Christian Andersen. É mais um daqueles lugares que é preciso ir, ou senão, nem vão acreditar que você esteve na cidade.
5) Muita gente que vai a Copenhague quer conhecer a Cidade Livre de Christiania, comunidade anarquista e autogovernada, localizada no bairro de Christianshavn e, ocupada por hippies. Ela é conhecida pela arquitetura diferenciada, espaços verdes, arte e estilo de vida “alternativo”. Eu não tive curiosidade de ir lá, porém recomenda-se discrição e cuidado ao visitá-la. Fotos não costumam ser permitidas.

Depois de uma semana batendo perna, saí da cidade refletindo sobre como seria incrível morar na capital da Dinamarca. O que dizer de você, Copenhague, que conheço tão pouco e já prezo tanto? Fica aqui meu amor e meu desejo de voltar pra te ver em breve, sua linda!


