A alta do querosene de aviação e os efeitos da reforma tributária estão entre os principais desafios para o crescimento da Latam Airlines no Brasil. A avaliação é do CEO da companhia no país, Jerome Cadier, durante entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo o executivo, a Latam precisou revisar suas projeções para 2025. A expectativa inicial previa crescimento de 11% na oferta de voos domésticos. Agora, a estimativa foi reduzida para 8%, refletindo o aumento expressivo dos custos operacionais.
Combustível pressiona resultados
Cadier destacou que o preço do querosene de aviação praticamente dobrou nos últimos meses. Esse cenário elevou os custos da companhia e afetou o planejamento para o restante do ano.
A Latam estima um impacto de aproximadamente US$ 700 milhões em despesas adicionais relacionadas ao combustível. Embora a demanda por viagens continue aquecida, a empresa reconhece dificuldades para absorver integralmente esse aumento sem impactos financeiros.
O executivo afirmou que os efeitos mais relevantes devem aparecer nos resultados do segundo trimestre. Ainda assim, a companhia mantém a estratégia de expansão no mercado brasileiro.
Ajustes na malha aérea

Apesar do ambiente desafiador, a Latam não pretende reduzir destinos. A empresa realizou ajustes pontuais em frequências de voos para adequar a oferta à demanda.
Um dos exemplos ocorreu na ponte aérea Rio-São Paulo. A companhia retirou voos que apresentavam menor ocupação, mas preservou sua presença nos principais mercados.
Além disso, a Latam segue com planos de crescimento para os próximos anos. A empresa também anunciou novas operações com aeronaves da fabricante brasileira Embraer.
Reforma tributária preocupa setor
Para Cadier, a reforma tributária representa uma preocupação de longo prazo ainda maior que o preço do combustível. O executivo acredita que o modelo em discussão pode aumentar significativamente a carga tributária sobre a aviação.
Segundo ele, passagens aéreas, hospedagem e atividades ligadas ao turismo podem sofrer impactos relevantes. Isso poderia reduzir a competitividade do setor e dificultar a ampliação do acesso ao transporte aéreo.
Cadier defende um modelo que estimule o crescimento da demanda e preserve a capacidade de investimento das empresas. Ele também afirmou que o setor mantém diálogo com o governo para discutir possíveis ajustes.
Mesmo diante dos desafios, a Latam segue otimista com o mercado brasileiro e aposta na continuidade da demanda por viagens nos próximos anos.


